Laparoscopia

A laparoscopia é realizada através de pequenas incisões na parede abdominal, de 5 e de 10 mm, ao invés dos grandes cortes realizados nas cirurgias convencionais. É uma técnica consagrada e amplamente utilizada nos grandes centros médicos. Inicialmente, a cerca de 50 anos, sua utilização em ginecologia era para complementar o diagnóstico de patologias suspeitas, com o passar dos anos, na década de 1970, foi utilizada para realizar esterilização através da laqueadura tubária. Atualmente, a evolução tecnológica e o treinamento das equipes médicas vem permitindo procedimentos cirúrgicos da mais alta complexidade e com indicações precisas que superam as cirurgias abertas.

Cirurgias ginecológicas realizadas por laparoscopia

  • Endometriose avançada

A endometriose é uma doença que consiste na presença e crescimento de endométrio em locais fora do útero.
É fundamental detectar a doença o mais breve possível principalmente a endometriose na forma mais grave com focos profundos.
Meninas que entram na adolescência, com cólicas menstruais muito fortes e que pioram progressivamente devem ser bem investigadas para evitar atraso no diagnóstico.
A suspeição da doença avançada é feita através da Ressonância Magnética ou a Ultrassonografia específica.
Em pacientes com dor intensa e/ou infertilidade em que exista a suspeição de focos profundos o tratamento mais efetivo é a extirpação completa destas lesões através da laparoscopia.
O objetivo da cirurgia é remover todos os focos superficiais e profundos, o mais completamente possível, evitando assim, que a endometriose persista e continue evoluído.
Ao longo destes anos, com a experiência adquirida, estamos realizando cirurgias laparoscópicas de altíssima complexidade que permitem a retirada dos focos da doença em todos os órgão e tecido comprometidos.

  • Miomectomias

Os miomas uterinos são tumores benignos que crescem entre as fibras musculares da parede do útero, a probabilidade de se transformarem em câncer é extremamente baixa, inferior a 1%.
Eles têm predisposição familiar e se desenvolvem por estímulo hormonal a partir das primeiras menstruações.
O diagnóstico de suspeição e localização é feita pela Ultrassonografia ou Ressonância  Magnética.
Dentre os sintomas que levam a indicação de tratamento cirúrgico temos: as hemorragias com anemia, a compressão de órgãos próximos, o aumento do volume abdominal e, dependendo da localização eles podem causar também infertilidade.
Cada caso deve ser avaliado de maneira individualizada para que, de acordo com o objetivo de cada paciente, possamos escolher a melhor técnica cirúrgica ou a associação delas. A laparoscopia pode ser uma excelente opção quando os miomas estão mais externamente, não forem muito numerosos e houver infertilidade envolvida.

  • Tumores sólidos e císticos ovarianos

As tumorações ovarianas geralmente são encontradas durante exames físicos de rotina ou são vistas em ultrassonografias realizadas por outros motivos. Alguns sintomas pouco específicos podem estar presentes como dor abdominal, dor pélvica, sensação de peso.
Para melhor estudar o cisto ou tumor sólido do ovário e tentar diferenciar entre patologia maligna ou benigna exames como a Ressonância Magnética, a Ultrassonografia com Color Doppler e a dosagem de marcadoras tumorais com CA125 e CEA são rotina. Dosagens hormonais e teste de gravidez também podem ser solicitados em casos especiais.
As indicações para uma cirurgia são: o crescimento progressivo, a suspeição quanto a malignidade e a presença de sintomas. A laparoscopia é considerada o padrão ouro para a abordagem dos cistos e tumores ovarianos benignos e pode ser realizada nos casos de suspeita de malignidade para uma abordagem inicial minimamente invasiva.

  • Correção de prolapsos vaginais e incontinência urinária

Os prolapsos vaginais acontece quando órgãos e tecidos que normalmente ficam dentro da pelve progressivamente se exteriorizam pela vagina. Podemos ter o Prolapso uterino; prolapso de cúpula vaginal após uma histerectomia; prolapso da bexiga (cistocele) associado ou não a incontinência urinária; prolapso do intestino (enterocele/retocele).
Os sintomas podem ser: perda de urina e/ou vontade constante de urinar, dificuldade para evacuar, percepção do prolapso na vagina (como se uma bola estivesse saindo pela vagina).
O diagnóstico do prolapso é realizado durante o exame ginecológico, solicitando que se realize um esforço abdominal. A avaliação urodinâmica também é importante para investigar uma provável incontinência urinária associada.
Nos casos em que a cirurgia for indicada a laparoscopia permite corrigir em uma única cirurgia o prolapso uterino ou de cúpula vaginal, o prolapso da bexiga, o prolapso intestinal e também pode realizar a correção o cirúrgica da incontinência urinaria.

  • Histerectomia

Consiste na retirada do útero. Dentre as indicações mais comuns temos: miomatose uterina extensa e sintomática, adenomiose profunda, câncer endometrial inicial.
Dentre os sinais e sintomas que levam a indicação de tratamento cirúrgico temos: as hemorragias, a compressão de órgãos próximos como a bexiga, o aumento do volume abdominal, a presença do câncer endometrial.
Exames como a Ultrassonografia, a Ressonância  Magnética e a Histeroscopia podem colaborar para uma indicação mais precisa da histerectomia.
Principalmente nas pacientes em idade reprodutiva cada caso deve ser avaliado de maneira individualizada pois a retirada do útero impossibilita definitivamente futuras gestações.
A realização através da laparoscopia, em comparação a cirurgia aberta, traz os benefícios de ser uma técnica menos invasiva como: menores problemas relacionados com a ferida operatória, maior conforto da paciente, recuperação em menor período de tempo, diminuição da necessidade de analgésico e menor tempo de hospitalização.

  • Cirurgias oncológicas

A laparoscopia pode ser utilizada para a abordagem cirúrgica de câncer de endométrio, câncer do colo do útero e no câncer de ovário com indicações específicas. Através da cirurgia laparoscópica pode ser realizado a retirada dos órgãos comprometidos (cito-redução), biópsias específicas e retirada de cadeias de linfonodos para o estadiamento da doença. De uma maneira geral, os benefícios da cirurgia minimamente invasiva são: menores problemas relacionados com a ferida operatória, maior conforto da paciente, melhor visualização do campo cirúrgico, menor perda sanguínea durante o procedimento, recuperação em menor período de tempo, diminuição da necessidade de analgésicos, menor tempo de hospitalização, recuperação precoce e melhora da qualidade de vida.

  • Cirurgias emergências

Torção dos ovários, Gravidez ectópica e Cistos de ovário rotos e hemorrágicos, são casos de emergência ginecológica e obstétrica que podem ser esclarecidos e tratados cirurgicamente pela laparoscopia sem a necessidade de uma cirurgia aberta. A suspeita diagnóstica da gravidez ectópica é feita através do exame de BHCG e da ultrassonografia. O detalhamento proporcionado pela laparoscopia possibilita sermos mais conservadores na manutenção tanto dos ovários como das tubas uterinas.
A recuperação em menor período de tempo, diminuição da necessidade de analgésicos e o menor tempo de hospitalização também são conseguidos com esta técnica.

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