1) A endometriose é hereditária?

Estudos com mulheres gêmeas demonstraram que o caráter hereditário está presente em 51% dos casos. Ou seja, um paciente que tem familiar de primeiro grau com diagnóstico de endometriose, tem sete vezes mais chances de ter a doença.

2) A partir de que idade a endometriose pode surgir?

Focos de endometriose já foram constatados desde a vida embrionária. A doença endometriose com seus sintomas começa a evoluir partir da adolescência quando iniciam os periodos menstruais pois é uma patologia hormônio dependente.

3) Quais os locais de acometimento da endometriose?

A pelve feminina é o local mais frequente de desenvolvimento da endometriose. Os órgãos mais acometidos são os ovários, trompas, ligamentos útero-sacros, peritônio e útero. O intestino, em especial intestino grosso (reto e sigmóide) é o órgão não reprodutivo mais afetado pela doença. A bexiga e os ureteres também podem apresentar lesões de endometriose. Em casos mais raros, as lesões podem se apresentar no diafragma, pulmão e em outros locais do corpo.

4) mulheres com endometriose têm chances de engravidar?

Cerca de 50% das mulheres com endometriose podem engravidar espontaneamente sem tratamento. Grande parte das pacientes com infertilidade pela endometriose também podem engravidar após o tratamento adequado. Os tratamentos clínicos habitualmente usados nos casos de endometriose, com hormônios e anticoncepcionais, impedem a gravidez enquanto utilizados. A cirurgia por Laparoscopia (com retirada o mais completamente possível, das lesões de endometriose e das aderências) pode aumentar as chances de gestação espontânea em mulheres com endometriose em todos os estágios. Em outros casos, pode ser necessário a realização de tratamentos com técnicas de reprodução assistida, como a inseminação intra-uterina ou a fertilização in vitro (bebê de proveta).

5) O que devo fazer para saber se tenho endometriose?

Mulheres com sintomas sugestivos de endometriose (cólica menstrual forte, dor na relação sexual, infertilidade, dores e/ou sangramentos ao defecar e urinar) devem suspeitar da doença. Na existência de alguns desses sintomas, o primeiro passo é consultar um médico ginecologista, que irá avaliar a possibilidade da doença e solicitar os exames necessários para complementar o diagnóstico. Se a suspeita clínica ou os exames mostrarem lesões sugestivas de endometriose, o diagnóstico é bastante provável. A confirmação da doença é feita com a cirurgia laparoscópica visualizando as lesões e com a biópsia mostrando o endométrio nas lesões retiradas. Esta cirurgia laparoscópica deve ser feita por equipe especializada em endometriose de modo que sejam extirpados, o mais completamente possível, todos os focos da doença evitando ao máximo a volta dos sintomas e a necessidade de novas cirurgias.

6) A endometriose é um câncer ou pode se transformar em uma doença maligna?

Apesar de poder atingir vários órgãos distintos e se disseminar localmente ou à distância, a endometriose é uma doença benigna. Até o momento nenhum estudo conseguiu mostrar uma relação importante entre a endometriose e o câncer ou uma evolução da endometriose para uma doença maligna.

7) A endometriose tem cura?

A endometriose é considerada uma doença crônica, mas se conseguirmos retirar todos os focos podemos dizer que a paciente esta curada pois, em seu organismo não existirá mais nenhum foco da doença. Entretanto, conseguir este objetivo depende de múltiplos fatores como diagnóstico precoce, estudo por imagem de boa qualidade para mapeamento  e cirurgias laparoscópicas para reconhecimento e extirpação o mais completa possível de todos focos. Cirurgias realizadas nestes preceitos conseguem resultados de melhora dos sintomas a longo prazo em torno de 80 % e a  necessidade de novas cirurgias em torno 15 a 5 % dos casos.

8) As lesões de endometriose podem reaparecer após a cirurgia?

A cirurgia laparoscópica quando realizada visando reconhecimento de todos os tipos de focos e extirpação o mais completa possível dos focos de endometriose o indice de recorrência dos sintomas  pode ocorrer em cerca de 15% dos casos em até dois anos após a cirurgia. Cirurgias incompletas nas quais não foram retiradas todas das lesões ocasionam a recidiva precoce dos sintomas em 35 a 50 % dos casos.

9) A retirada do útero resolve a endometriose?

A retirada do útero, apesar de eliminar a menstruação, não resolve a endometriose. As lesões da endometriose são fora do útero e continuam mesmo sem a presença dele. A retirada do útero somente deve ser feita se houver uma patologia uterina que justifique. Para tratar a endometriose cirurgicamente o importante e retirar, o mais completamente possível, todos os focos da doença.

10) A endometriose desaparece após a menopausa?

Após a menopausa os ovários já não produzem mais o estrogênio, com isso o endométrio ectópico (endometriose) não é mais estimulado e tende a não proliferar. Dessa forma, os sintomas da doença podem diminuir ou desaparecer. Em muito casos, após a menopausa não há mais necessidade de tratamento.