Endometriose

Atinge 10 a 20 % de todas as mulheres em idade fértil.

Pode estar presente nas mulheres com infertilidade entre 30 e 50 % dos casos.

Pode causar dores incapacitantes e interferir muito na qualidade de vida.

História

A endometriose foi uma das primeiras doenças descritas na humanidade. Hipócrates, pai da medicina, em 850 AC já citava os sintomas e suas características.

Origem

Um tecido parecido com o endométrio que normalmente existe somente dentro do útero passa a se desenvolver em outros locais do corpo. Em 90% dos casos a doença é dentro da pelve e em 10% no abdômen superior e outros sítios.

Hereditariedade

A endometriose tem um caráter hereditário, irmãs e filhas das pacientes com endometriose têm 7 vezes mais chance de também ter a doença.

Fisiopatologia

A doença é inflamatória e crônica, começa a se desenvolver na adolescência quando iniciam os primeiros ciclos menstruais, é estimulada pelos mesmos hormônios que ativam a menstruação, principalmente o estrogênio, e pode continuar a se desenvolver até a paciente entrar na menopausa.

O aumento da incidência

É sabido que “Na gravidez a doença dorme”, isto é, os hormônios liberados durante a gestação e amamentação bloqueiam a evolução da endometriose. Nas gerações atuais as mulheres têm uma maior exposição aos hormônios responsáveis pelos ciclos menstruais pois em geral engravidam após os 30 anos e apenas uma ou duas vezes. E são estes mesmos hormônios que ativam progressivamente e por um tempo mais prolongado os focos de endometriose existentes.  Por outro lado, devemos considerar que hoje em dia temos uma maior conscientização sobre a doença e temos exames de imagens capazes de fazer o diagnóstico.

Os sintomas

Os sintomas iniciais podem começar desde a adolescência, já nas primeiras menstruações. Em 90% dos casos as pacientes apresentam cólicas menstruais cada vez mais fortes que se tornam incapacitantes e vêm acompanhadas de fadiga intensa.

Durante o período menstrual outros sintomas também são frequentes como dores lombares, intestino mais solto, aumento da frequência urinária, dor na região do ombro direito, alterações do fluxo menstrual entre outros.

Quando a doença está mais evoluída a paciente pode referir dor profunda na relação sexual, dor para evacuar e para urinar.

O diagnóstico

O diagnóstico na maioria das vezes é feito tardiamente, o atraso é em média de 10 anos.

As principais causas do atraso são preceitos culturais de que cólicas menstruais mesmo incapacitantes são normais e a falta de um atendimento médico inicial mais preciso, feito por profissional que tenha conhecimento, tempo para ouvir, escutar e acreditar nas queixas apresentadas, que possa fazer um exame clínico mais cuidadoso e conseguir exames de imagens específicos de boa qualidade, além disso essas pacientes precisam manter um acompanhamento periódico.

Os exames de imagem específicos são a Ressonância Magnética e/ou a Ultrassonografia Específica para endometriose, através deles podemos mapear a doença e correlacionar as lesões encontradas com os sintomas referidos.

O tratamento

As indicações para se fazer um tratamento para endometriose são:

  • Alterações importantes na qualidade de vida geralmente associadas a dor.
  • Infertilidade associada a suspeita de endometriose.
  • Risco de obstrução de órgãos importantes como ureter e intestino.

O tratamento clínico

Não existem medicamentos capazes de extinguir os focos de endometriose, todos atuam somente para diminuir os sintomas e, podem no máximo bloquear a evolução da doença enquanto utilizados.

Exercícios e acupuntura aumentam a liberação de endorfinas e podem aliviar as dores, dietas anti-inflamatórias também auxiliam a diminuir o processo inflamatório causado pela doença, analgésicos e anti-inflamatórios também podem ser utilizados.

Medicamentos moduladores hormonais como as pílulas anticoncepcionais combinadas são frequentemente utilizados para melhorar as cólicas, mas nas pacientes com propensão a desenvolver as formas mais graves, a evolução para um grau avançado pode ocorrer de maneira silenciosa, isto é, com poucos sintomas e assim o atraso no diagnóstico poderá ser ainda maior.

Medicamentos moduladores hormonais mais potentes como Progestagênios isolados (DIU Medicado, Dienogest, implantes), Danazol, Gestrinona e Análogos de GnRh são mais efetivos no bloqueio do desenvolvimento da doença, mas apresentam efeitos colaterais maiores o que torna difícil a adesão ao tratamento por longos períodos. Além disso, todos os medicamentos hormonais impedem a gravidez durante seu uso.

O tratamento cirúrgico

O tratamento através da cirurgia laparoscópica também pode ser realizado como primeira opção, mas está principalmente indicado quando os exames de imagem detectaram focos profundos da endometriose. Ter focos profundos quer dizer que a doença está evoluindo para os quadros mais graves e avançados.

Para a cirurgia ser realmente resolutiva precisa ser realizada com o reconhecimento de todos os tipos de focos, a retirada mais ampla possível de todas as lesões e sempre buscando restituir a anatomia e preservar a funcionalidade dos órgãos e tecidos envolvidos. São procedimentos complexos e longos e para serem realizados nestes preceitos são necessários equipamentos adequados e equipes cirúrgicas com conhecimento e treinamento multidisciplinar pois a doença pode atingir vários órgãos e tecidos diferentes.

No controle pós-operatório, sendo a cirurgia realizada com estes princípios, evita-se o uso de qualquer medicamento para modulação hormonal para ser observado se houve uma real melhora ou não dos sintomas. Também são solicitados exames de imagem de controle, entre 3 e 6 meses após o procedimento, para verificar a presença ou ausência de focos residuais.

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